Ler é o maior barato!

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Uma oportunidade de respirar cultura e de ter um contato mais intenso com as delícias da literatura acontece de 18 a 26 de abril, quando Campinas abre espaço para o Festival Internacional de Leitura, que irá homenagear o grande escritor Monteiro Lobato. Estão programadas algumas atividades, todas gratuitas, e, entre elas, apresentações cênicas e musicais, filmes e palestras. A poesia também terá seu espaço com a apresentação de poemas de novos autores.

O público esperado é de 140 mil pessoas, incluindo estudantes das escolas públicas de Campinas e região. Esse evento cultural de grande porte quer aproximar as pessoas dos prazeres da leitura. Num mundo tão cheio de atribuições, o hobby de ler pode ser uma escapatória das angústias reais, uma possibilidade de mergulhar num universo de conhecimento, que traz consigo momentos de lazer misturados com reflexão, e um mundo de possibilidades.

Lobby, ética e argumentação: obrigado por fumar

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Sempre acreditei que uma verdadeira obra de arte é aquela que, depois de ser vista, fruída e provada, tem o poder de acompanhar o espectador para fora do museu, do cinema ou do teatro. E se há uma obra que me acompanha já há algum tempo é “Obrigado por Fumar”, filme de 2006 dirigido pelo então estreante Jason Reitman.

O filme conta a história de Nick Naylor, que tem a difícil tarefa de representar os interesses da indústria norte-americana de tabaco, falando em nome dela e até mesmo a personificando ao tentar convencer as pessoas e as instituições de que os fabricantes de cigarros não são vilões. No enredo, ele tem que enfrentar um senador democrata que quer instituir nos maços de cigarro a imagem de uma caveira, a fim de deixar bem claro para todos que o cigarro faz mal à saúde, o que ele faz por meio de um discurso sobre a liberdade de escolha de cada indivíduo.

Mas “Obrigado por Fumar” não é um filme sobre os malefícios do tabaco, como pode parecer à primeira vista. Seu foco é na atividade de Nick, nas estratégias argumentativas utilizadas por ele para alcançar seus objetivos. É um filme, portanto, sobre o poder da palavra.

A ocupação de Nick Naylor é o lobby. O lobismo é uma atividade proibida no Brasil, mas liberada nos Estados Unidos. Talvez pela proibição, em nosso país atribuímos ao lobby uma conotação diferente da que se tem em outros países, e o consideramos um trabalho sujo, baseado em promessas, vantagens e malas cheias de dinheiro. Mas não é sempre assim, nem apenas isso – ou não deveria ser.

Originalmente, o lobista deveria ser alguém que informa – informa para convencer. Ele deve conhecer profundamente seu objeto de defesa, deve conhecer a causa, assim como deve conhecer as causas contrárias. Deve ter muita perseverança para argumentar, argumentar, argumentar e saber usar o poder das palavras em favor da tese que defende. O lobista é uma espécie de advogado institucional, atuando em favor dos objetivos de seus clientes. Se levada adiante de forma honesta, com ética e transparência, a prática do lobby poderia até mesmo ser importante para incentivar uma discussão aprofundada sobre os tópicos em questão, pois sempre haveria dois pontos de vista muito aguçados se contrapondo.

E quanto a Nick, será que podemos dizer que ele foi antiético? Essa é uma das grandes vitórias do roteiro: apesar de ficar muito claro que ele é uma espécie de “advogado do diabo”, suas argumentações são tão bem construídas que, às vezes, acabamos sendo cooptados! E é assim que funciona o filme: opondo ideias que, para nós, são muito claras – o cigarro é um causador de males à saúde, chega a matar 1.200 pessoas por dia – ao poder de sedução de uma fala bem construída.

Quando menos esperamos, ops, percebemos que estávamos indo com Nick, mas nosso senso ético nos resgata. E esse vai-e-vem só faz evidenciar: as palavras, quando utilizadas com presteza, podem ter muito mais poder do que aparentam.

O “Bar do seu Biu” e o Fantasma da Crise

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De uns dois meses para cá, um texto muito curioso se espalhou por toda a internet. Fez fama: foi reproduzido em colunas da Folha, nos muitos blogs de comentadores de economia e até mesmo em blogs de receitas. É a história do “Bar do seu Biu”, que explica de uma forma divertida e bem didática a crise das hipotecas de alto risco, também conhecidas como subprime – o que teria desencadeado a tal da “crise econômica mundial”.

É fácil entender por que um texto como o do “Bar do seu Biu” faz tanto sucesso, e tão rápido: ao mesmo tempo em que a crise afeta a vida de todo o mundo, é quase impossível para quem não estudou economia entender o “economês”, o jargão dos economistas. E a mídia também não ajuda: muito se fala sobre as demissões em massa, as falências, os esforços dos governos para aprovar pacotes de socorro rápido e tantas outras tragédias, mas nada disso nos ajuda a entender o que está de fato acontecendo.

Disso resulta que o período de crise, que já é em si um momento de incertezas, em que devemos avaliar bem o modo como utilizamos nosso dinheiro, passa a ser também um período de histeria coletiva. E no meio dessa paranoia financeira generalizada, todo o potencial de renovação que faz parte da crise tanto quanto a instabilidade se perde.

Tão famoso – e até mais – que a história do “Bar do seu Biu” é aquele bordão da TV: “com crise se cresce”. Quando passamos por momentos como o que está vivendo nossa economia, é preciso ter em mente que o desequilíbrio é parte do caminhar: só podemos dar o próximo passo se nosso corpo se desequilibra naquela direção. Por isso, não se deixe abalar pelo noticiário sensacionalista. Procure entender, por meio de bons exemplos como o desse texto, o que está se passando. Mantenha a calma e, principalmente, use as brechas deixadas pelo terremoto para plantar sua semente — para recriar-se.

PS: Apesar de ter procurado muito – muito mesmo –, não consegui encontrar o nome do autor do “Bar do seu Biu”. Parece mais um daqueles casos de “autor desconhecido”. Mesmo assim, gostaria de dar os parabéns para esse autor que, numa atitude bem simples, está ajudando muitas pessoas a lidarem melhor com a atual situação econômica.

Dia Internacional da Mulher

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“Sou uma mulher madura, que às vezes brinca de balanço.
Sou uma criança insegura, que às vezes anda de salto alto.”
Martha Medeiros

Mais uma vez se aproxima 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, e a Scritta faz questão de homenagear essas esposas, mães, profissionais e, acima de tudo, guerreiras. E fazemos isso de uma maneira que tem tudo a ver com a Scritta e com as mulheres: usando a poesia e uma reflexão sobre a linguagem.

Leia agora mesmo o texto que preparamos para essa data tão especial. Parabéns, mulheres do Brasil, por estarmos a cada dia mais e mais engajadas na construção de um novo mundo: um lugar mais sensível, mais humano e que, passo-a-passo, vamos edificando bem ao nosso modo!