A reforma ortográfica

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A Reforma Ortográfica

É isso mesmo gente. Após 36 anos desde a última mudança na ortografia oficial da nossa língua, estamos prestes a passar por outra. Parece pouca coisa, mas ela vai alterar a rotina de muita gente e não só a dos estudantes que batalham para o vestibular.

Você redige contratos, propostas de serviços, memorandos, documentos oficiais ou meros e-mails de apresentação? Fique atento para acompanhar as mudanças. Nem preciso alertar os profissionais que prestam concursos ou que tratam constantemente com a palavra escrita.

Não pense em se livrar do trabalho fazendo uma atualização no revisor automático do editor de textos. Quem trabalha muito com ele sabe que o software não é 100% confiável.

Para facilitar a vida de todos, nós da Scritta elaboramos um rápido guia sobre a reforma ortográfica para você se adaptar e até tirar dúvidas na hora do sufoco.

Depois da excelente sugestão de Vanda, nossa leitora, postamos também uma enquete para você opinar sobre essa mudança na ortografia portuguesa. Acesse e participe: www.scrittaonline.com.br.

Um abraço

O erro é mais feio na boca do especialista

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Gente, essa é uma historinha que ilustra como um erro de português pode arranhar a imagem de um profissional.

Um amigo veio me contar, indignado, que o seu corretor de seguros havia lhe ensinado a estimar as “percas” de um acidente de carro: “Laila, eu sempre pensei que o correto fosse ‘perdas’, mas como o cara é um profissional, fiquei na dúvida, ” me disse.

A sorte é que ele foi pesquisar e descobriu que o substantivo é mesmo “perda” como ele acreditava ser o correto. “Perca” só pode ser usado como forma verbal do Presente do Subjuntivo (que eu perca /que ele perca), ou como imperativo (perca ele/você).

Agora eu me pergunto: como ficam as dezenas de outros clientes desse corretor de seguros que sempre o ouvem dizer “deu perca total”, “foi uma perca grande”, “a sua perca será ressarcida”? Aposto que a maioria não vai procurar saber a forma correta e vai adotar o erro do especialista em “percas”.

O corretor de seguros tornou-se, naturalmente, um disseminador de uma aberração gramatical. Sem contar as perdas incalculáveis à sua imagem que as suas “percas” já causaram diante dos clientes que reconheceram o erro.

Por isso, não vá repetindo frases só porque foram ditas por especialistas. Na dúvida, consulte um dicionário, uma gramática ou poste uma pergunta neste blog.

Um abraço.

Viva Santo Antônio, São Pedro e São João.

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O mês de junho é o mês em que há uma valorização, ainda que estereotipada, da cultura caipira. Devido às festas comemorativas dos santos católicos: Santo Antônio, São Pedro e São João, as pessoas se reúnem em volta de fogueiras; cantam e dançam músicas tradicionais; comem paçoca, pipoca, arroz-doce entre outras delícias; participam da quermesse e se divertem no segundo evento brasileiro mais esperado do ano (desnecessário dizer qual é o primeiro, não é mesmo?). Aproveitando o momento, resolvi voltar a uma questão curiosa: quando usamos “santo” e quando usamos “são” para invocar um santo? Se a regra fosse pura e simplesmente respeitada seria muito simples:
“Santo” antes de nomes que começam por vogal ou “h”(Santo André, Santo Amaro, Santo Onofre).
Já os beatificados que têm nomes começados por consoantes serão chamados de “São” (São Paulo, São Caetano, São Bernardo).
O problema são as exceções, cuja mais famosa é a de Santo Tomás de Aquino. Mesmo assim, encontramos o uso de São Tomas de Aquino, também.
Para complicar, as exceções se ampliam para o idioma espanhol, um detalhe que pode confundir também os que falam português. O dicionário espanhol da Real Academia diz que Tomás, Toribio, Tomé e Domingo são exceções que devem ser tratadas com “Santo”. Por isso, para nós que falamos português, a república é de São Tomé e Príncipe, mas seu nome oficial em espanhol é Santo Tomé e Príncipe.
Fique esperto para não se confundir com os mapas turísticos em espanhol.
Melhor mesmo são as mulheres que quando viram santas é só chamar de “santa” e acabou. Simples, não?
Bom, nesse clima junino, trouxe a vocês uma simpática canção de Chico Buarque. Espero que gostem.
Quadrilha
Chico Buarque
Composição: Indisponível
E neste ano, como todo ano, uma vez por ano
Tem quadrilha no arraial
E neste ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
A satisfação é geral
Não me leve a mal
Não me leve a mal

O forró corria manso, sem problema e sem vexame
Quando o chefe da quadrilha decretou changer de dame
A mulher do delegado rendeu o bacharel
O peão laçou a jovem filha do coronel
A Terezinha Crediário deu um passo com o vigário
A beata com o sacristão
Diz que a senhora do prefeito
Merecidamente eleito
Foi com o líder da oposição
Não tem nada não
Não tem nada não

Zé-com-fome deitou olho na patroa do “seu” Lima
Que não faz xodó na moça mas também não sai de cima
Juca largou a sanfona e, abandonando o salão
Foi prevaricar com a dona que vendia quentão
E foi doente com doutora, indigente e protetora
Foi aluna com professor
E o perigoso bandoleiro, Zé Durango “El Justicero”
Fez beicinho pro promotor
Mas, faça o favor!
Mas, faça o favor!

O forró estereofônico estava mesmo um barato
Muita música na praça e muita dança lá no mato
Quem gozou da brincadeiram, muito bom, muito bem
Quem tomou chá de cadeira, só no ano que vem
Pois nesse ano, como todo ano, uma vez por ano
Tem quadrilha no arraial
E nesse ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
A satisfação é geral
Ninguém leva a mal
Ninguém leva a mal

Não diga: eu te amo

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O dia dos namorados está chegando. Época de beijos, carícias, juras de amor eterno e o famoso “Eu te amo”! Você anda dizendo muito essa frase por aí? Cuidado!Gostaria de compartilhar com vocês um texto que escrevi há alguns anos para o dia dos namorados. Esse texto teve grande repercussão, sendo publicado em várias revistas e jornais. Espero que você goste do texto! E não se esqueça, no dia dos namorados “Não diga: eu te amo!”

Não diga: eu te amo
Revolta geral. Eu sei, eu sei. Todo mundo gosta de ouvir e de dizer eu te amo. Que Lindo! Que meigo! Mas de acordo com os rigores da gramática normativa, isso é inadequado. Por quê? Vejamos: Em seu dia-a-dia você diz “tu gostas”? Não. Diz apenas “você gosta”. Pois é, então este é o problema. O “te” de “eu te amo” pertence à família do te, ti, contigo, que você nunca usa.
O que você, eu e quase o Brasil inteiro usa é o você. E sabe qual a família de “você”? Todos os pronomes da terceira pessoa do singular, ou seja, seu, sua, se, si, consigo, o, a, lhe. Aliás, sabe o que é mais problemático? Misturar tu e você, ou seja, segunda e terceira pessoa: “Eu te amo, gatinha, mas seu pai não gosta de mim”. Ou: “Eu te amo, amo tudo o que você faz”.É fácil perceber que tu e você (e outras terceiras pessoas) não ficam bem juntos.Mas o que fazer com os mais de cem milhões de brasileiros que dizem (ou diriam, se tivessem a quem) “eu te amo” no dia 12 de junho?
Bom, a eles a sugestão: falem, gritem “eu te amo”. Não percam essa oportunidade, nunca. Nunca mesmo. Afinal, a gramática que define o que é certo ou errado, no que se refere à linguagem, não deveria interferir em assuntos do coração.
É verdade que ela condensa a atividade intelectual de muitas gerações de estudiosos da linguagem humana. Mas não podemos considerar a gramática tradicional uma Bíblia - sagrada e infalível. A linguagem humana merece ser investigada, porque ela busca compreender a importante relação entre língua e pensamento, que tantas conseqüências traz para o relacionamento entre as pessoas (e o Dia dos Namorados bem o demonstra!).
Sim, a linguagem e seu funcionamento devem ser investigados, mas sem a visão maniqueísta de que tudo se resume a certo e errado; sem a postura crítica, policialesca e anticientífica de que os desvios da norma culta são crimes. Afinal, desde o nascimento da Lingüística moderna, no início do século XX, a noção de erro vem sendo repensada. Ao invés de dizer que uma dada maneira de falar é errada, tem-se preferido dizer que ela é diferente, e que, embora se desvie do que prescreve a Gramática Tradicional, ela revela critérios lógicos e coerentes.
Eu sei que o peso da tradição gramatical poderia nos levar a evitar certos usos e expressões. Mas, vamos lá: Coragem! Diga “Eu te amo”, mesmo sabendo que a Gramática Tradicional prescreveria “Eu amo você”.Diga, então, “eu te amo” por duas boas razões: para subverter uma ordem estabelecida há séculos e também para fazer alguém muitíssimo feliz!

"Meu filho, leia!"

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Sempre ouvimos esse inevitável conselho quando estamos sendo alfabetizados. É natural que a mãe corrija o erro dos filhos fazendo-os ler os seus próprios textos para descobrir seus erros. Se déssemos ouvidos hoje a essa valiosa dica, evitaríamos muita vergonha no mundo corporativo. Diversos erros gramaticais correm diariamente pelas caixas de entrada das empresas não por causa de desconhecimento da língua, mas por pura preguiça.

Ninguém precisa ser um expert em concordância verbal para saber que o correto é escrever “nós vamos”. Na pressa, porém, e principalmente quanto toca o telefone no meio da redação do texto, saem muitos “nós vai” e poucos passam os olhos, e quase ninguém lê, antes de apertar o perigoso botão “Enviar”.

Para piorar, estamos nos acostumando mal a escrever com “errinhos”, principalmente quando o destinatário é o colega ao lado. Acabamos levando esses pequenos vícios para toda a documentação que enviamos por e-mail. Quando o texto vai para um diretor, cliente ou outra empresa, a preguiça dá lugar à vergonha, pois é a nossa imagem que está em jogo.

Portanto, se de um lado não devemos desprezar a dica preciosa que vem lá do berço da alfabetização: leia, leia e leia, por outro, devemos aplicar a novíssima: releia, releia e releia o que você escreveu antes de apertar o “Enviar”!

Um abraço!

Liga agora e compra! Compra! Compra!

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Ligar a TV numa manhã de domingo é como olhar as vitrines de um shopping center. A mais moderna panela elétrica, o tritura-mexe-mistura qualquer coisa, o super-depilador indolor de cinco velocidades, a câmera digital à prova de água salgada, o televisor de cinco polegadas para você não perder a novela quando vai ao banheiro… Está tudo ao alcance do controle remoto. A diferença do shopping é que, na TV, o apelo visual dá lugar ao sonoro: “Liga agora e… compra! Compra! Compra!”

O “liga” e o “compra” devem ter vindo das mesmas mentes que criaram o “gerundismo” dos telemarketings, o famoso “vamos estar enviando”. Para esse pessoal, o imperativo “compra” deve ter um apelo maior e uma conotação mais positiva do que o batido “compre”. O problema é que o “liga” não concorda com o pronome de tratamento usado pelos televendedores: “você”.

No Brasil, salvo raras exceções, tratamos a pessoa com a qual falamos por “você” (contração de vossa mercê), ou seja, usamos a terceira pessoa do singular. Isso quer dizer que quando eu uso “você”, faço as conjugações como se fosse “ele(a)”. Isso vale também para o imperativo: “Compre ele, mas compra tu.”

“Liga” e “compra” são os imperativos de “tu”. Para soarem bem aos ouvidos, eles teriam que vir acompanhados de frases assim: “Tu precisas perder aquela tua barriginha, mas não tens tempo? Agora tu podes manter a forma enquanto trabalhas. Chegou especialmente para ti o fabuloso Personal Electric Trainner. Aproveita a promoção de lançamento, liga agora e compra! Compra! Compra!”

Mas se você quer se manter em forma no português, fique ligado nessas regras, especialmente quando for escrever. Não se esqueça: se for tratar por você, se ligue nesse toque: “Se ligue! Se ligue! Se ligue!”

7 de Setembro, 11 de Setembro e outras datas

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As celebrações do dia 7 de Setembro passaram. E você, sabe o que foi celebrado neste dia? Nesta data, no ano de 1822, Dom Pedro I proclamou a independência do Brasil. Quanto à grafia, você está seguro quanto à forma correta de se escrever as datas? Vamos lá.

As letras iniciais dos meses devem ser minúsculas. Porém, quando os meses fazem parte de datas históricas ou nomes de lugares, use inicial maiúscula. Assim, por exemplo, 7 de Setembro é feriado nacional. No dia 12 de Outubro é comemorado o Dia das Crianças. O dia 1º de Maio – Dia do trabalhador; dia 08 de Março é o Dia da Mulher, e assim vai.

O dia 11 de Setembro de 2001, por ser um acontecimento histórico, já pode ser grafado da forma acima, ou seja, o mês com inicias maiúsculas. Você sabe o que aconteceu nesse dia? Nessa data, os Estados Unidos sofreram um dos piores ataques de sua história: terroristas seqüestraram aviões e os lançaram contra as torres gêmeas do World Trade Center.

Na cidade em que moro, Campinas, há uma rua muito famosa por concentrar o comércio local, chamada 13 de Maio. Em São Paulo, há a 25 de Março. E na sua cidade?

Seja bem-vindo, meu amigo Benvindo

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Você já reparou naquelas placas na entrada das cidades – “Seja bem-vindo ao município de…” Interessante, não é mesmo? Mas você sabe qual é a grafia correta de bem-vindo?

Bem-vindo é uma saudação para quem chega a algum lugar e deve sempre levar hífen. É uma expressão de alegria e surpresa. Veja só:

“O prato de sopa foi bem-vindo entre os moradores de rua.”

“Seja bem-vindo ao município de Taquarituba”

Mas e quanto ao nosso amigo “benvindo”?

Benvindo é nome próprio e só deve ser escrito assim nesta circunstância. Resolvido? Então não se confunda mais ao redigir convite dizendo que seu amigo Benvindo é bem-vindo à festa.

A persistirem os sintomas ou ao persistirem os sintomas. Ai que dor de cabeça!

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Hoje assistindo aos comerciais de remédio percebi que muito deles falam a mesma coisa, mas de maneira diferente. Como assim? Preste bem atenção nos comerciais de analgésicos. Ao final da propaganda, não aparece aquela telinha azul dizendo: “Ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”. Mas se você prestar bem atenção vai encontrar também “A persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado.” Mas qual a forma certa?

Antes de tudo, é importante saber que aquele “a” de “a persistir” significa condição, ou seja, pode ser substituído por “se” ou “caso”. Já o “ao” faz referência com o tempo, ou seja, quando.
A esta altura você já deve ter corrigido a frase dos comerciais de remédios, não é mesmo? Então aí vai um conselho para solucionar aquela sua dor de cabeça que não quer sumir de modo algum: A persistir o sintoma, procure um médico!

Onde menos vale mais

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“Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais”
Regra Três, Toquinho e Vinícius

Muita praia, caipirinha e boa companhia foram inspiração para Toquinho e Vinícius em muitas de suas canções. “Regra três” é um gostoso samba nascido entre amigos e sem grandes compromissos com a formalidade. Por isso, encontramos a palavrinha “onde” num lugar onde ela não deveria estar.
Quando colocamos “onde” nos referimos a um lugar.
“É a casa onde nasci.”
“A sala onde trabalho.”
Talvez por parecer chique, o “onde” foi parar em frases nada adequadas:
“Foi uma reunião onde resolvemos todas as pendências.”
“Era um tempo onde tudo era mais fácil.”
Esses exemplos ficariam melhor assim:
“…reunião na qual resolvemos todas as pendências.”
“…um tempo em que tudo era mais fácil.”
Cante bastante, mas não se esqueça da regra três: em que menos vale mais!

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