Escrevo para indicar-lhes um excelente livro, cujo assunto é bastante polêmico: “Uma Gota de Sangue”, de Demétrio Magnoli.
A humanidade tem raça? A obra nos mostra de forma clara a história de um engano de 200 anos – o tempo da invenção, da desinvenção e da reinvenção do mito da raça.
Magnoli descreve como duas visões de mundo estiveram em constante tensão ao longo da história mundial recente. A primeira crê numa espécie divina, em raças que se distinguem por ancestralidades diferentes, expressas em traços físicos e culturais. A segunda visão, antirracialista, nega a separação da humanidade em categorias inventadas e acredita no princípio da igualdade entre as pessoas.
A ideia de que existem raças é um anacronismo que não condiz com a tradição brasileira e com as mudanças que vêm acontecendo no mundo civilizado.
Recomendo, pois como vocês podem observar pelo pouco que descrevi dessa grande obra, ela nos mostra um pouco a história do mundo.
Leiam e saibam mais sobre esse assunto tão polêmico e desconhecido, afinal é a nossa história que está descrita ali. Vale a pena saber mais sobre ela.
Em 1960, o dia 25 de julho foi instituído como “Dia Nacional do Escritor”.
Por saber da importância dessa data e por se preocupar com a descoberta de novos talentos, a Scritta promove anualmente um concurso literário para comemorar esse dia.
O tema deste ano será “O mundo virtual”.
Serão aceitos contos e crônicas, que deverão ser enviados para o e-mail scritta@scrittaonline.com.br, com o assunto: “Concurso Scritta Dia do Escritor”.
Cada autor poderá enviar apenas um texto para concorrer, e este deverá ser entregue até o dia 31 de julho de 2009.
Não deixe de participar! Libere sua mente e dê asas à imaginação e à criatividade!
Gostaria de compartilhar com vocês a mais nova apresentação do escritor José Saramago: o livro “O Caderno”, que reúne vários artigos já publicados em seu blog. O livro foi divulgado nesta última quinta-feira (25/6), em Lisboa.
Saramago conta que começou a escrever para a internet por incentivo de sua esposa e que não acha nada de tão complicado escrever em blogs. Aprovo a leitura de Saramago e recomendo-o a vocês. O blog de Saramago (http://caderno.josesaramago.org) já possui mais de dois milhões de visitantes, considerado por ele “um fenômeno de massas”, em resposta à necessidade do ser humano de se comunicar e reafirmar-se em sua própria individualidade.
No dia 8 de março, a Scritta publicou em seu site, um artigo sobre o dia internacional da mulher. Além de parabenizá-las, constatamos que, 72% dos freqüentadores dos cursos da Scritta são mulheres.
Indo ao encontro das informações divulgadas, ontem, dia 28 de maio, a Folha Online divulgou uma pesquisa, realizada pelo Instituto Pró-livro, afirmando que, no Brasil, as mulheres estão à frente: além de dedicarem-se mais a cursos capacitadores, as mulheres lêem mais.
A pesquisa diz que os brasileiros estão acostumados a dedicar muito pouco tempo de suas vidas à leitura e que, dos que dedicam, 55% são mulheres, público maior em quase todos os gêneros da literatura. O sexo masculino aparecia como líder apenas em política, em ciências sociais e em história.
Isso vem corroborar o merecimento da entrada, cada vez mais crescente, das mulheres no mercado de trabalho, equiparando-se em salários e em cargos com os homens, finalmente. Por tudo isso, eu me orgulho em trabalhar com essas tão empenhadas mulheres e em saber que, de certa forma, contribuo para que elas cresçam cada vez mais!
Hoje vim até aqui para dar uma dica de leitura, mas não é uma dica simples e trivial. É uma provocação. Quero provocá-los para uma leitura que não se prenda ao que está dito, que não se prenda à superficialidade. Por isso, vou falar de Marina Colasanti e mais especificamente de seu livro Contos de Amor Rasgados. Aliás, livro utilizado durante um ponto alto do curso e que faz bastante sucesso. Todos me pedem a referência e dizem adorar.
Nascida em Asmara (Eritréia), na África , mora no Brasil desde 1948 e habita os livros didáticos do nosso país. No entanto, não é figura carimbada nas prateleiras dos que gostam de ler. Fato que não entendo, pois seus contos são lindos e de uma literariedade absurda.
Tratam dos assuntos cotidianos, em que a autora parece “jogar o verde” para que nós, leitores, possamos construir o nosso sentido e “colher maduro”. A autora trata sempre de assuntos inusitados e, geralmente, em minicontos que parecem nos colocar sempre em desconforto porque nos propõem mudanças . Não falam aquilo que esperávamos ouvir. Mas nos encantam no final quando sentimos que matamos a charada, quando percebemos que o caos se reorganiza no final, para nosso entendimento e prazer.
E o que é mais interessante nessa autora é que ela parece decifrar o mundo e um personagem através de um único gesto. O gesto passa a ser o tudo. E isso funciona na vida real também, não é característica isolada na literatura.
Um dos meus minicontos favoritos da autora é o que ela nos sugere uma abertura de cabeça. Nos segure, através de uma inusitada situação, que consigamos abrir a nossa cabeça à chave mágica da leitura, da interpretação de texto. Demonstra que o mundo está ao nosso redor – e os livros também – sedentos por uma construção de sentido, mas que sem a leitura, ficam mortos…
Por gostar muito, resolvi compartilhá-lo com vocês. Espero que gostem e que a Marina Colasanti lhes proporcione uma nova maneira de “abrirem a cabeça”!
Boa leitura e um abraço,
Laila
A coceira no ouvido atormentava. Pegou o molho de chaves, enfiou a mais fininha na cavidade. Coçou de leve o pavilhão, depois afundou no orifício encerado. E rodou, virou a pontinha da chave em beatitude, à procura daquele ponto exato em que cessaria a coceira.
Até que, traque, ouviu o leve estalo e, a chave enfim no seu encaixe, percebeu que a cabeça lentamente se abria.
(Marina Colasanti, Contos de Amor Rasgados, Editora Rocco).
Vocês poderiam perguntar: o que é Mutum? Eu diria que muitas são as respostas. Para Guimarães Rosa, “é um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte, e lá chove sempre…” Para Sandra Kogut, é um filme, o que encerrou o Festival de Cannes e o ganhador do Festival de Cinema do Rio 2007.
Para mim e outros leitores e telespectadores, é o cenário da obra “Campo Geral”, de Guimarães Rosa e é também onde vive Thiago, o protagonista do filme, que interpreta Miguilim, personagem do livro.
Como na narrativa, o filme traz aos telespectadores um universo desconhecido, que nos é apresentado pelos olhos de Thiago, um garotinho de 8 anos. E apesar de a perspectiva ser infantil, somos levados às mais fortes emoções e aos mais graves conflitos. Conhecemos um mundo de pequenas formas, cores, valores, sentimentos. Um mundo de novos valores, de valorização de objetos e seres outrora marginalizados. Um mundo lingüisticamente novo. Um mundo que precisa ser desbravado, compreendido.
Miguilim nos leva a esse conhecimento mais profundo do mundo infantil, inocente, sensível. Seu olhar nos faz entender o mundo com grandeza. Essa grandeza, contraditoriamente, aparece como miopia, como uma distorção do olhar verdadeiro do mundo. Um olhar que precisa de correção, de óculos, para que, dessa forma, seja “comum”. O livro traz em si uma circularidade que só pode ser compreendida por quem conhece Miguilim.
Sandra Kogut e seu filme talvez tenham traçado o caminho mais curto para se aproximar de Guimarães Rosa, nesse ano em que se comemora o seu centenário de nascimento.
Por tudo isso, a premiação foi merecida. E eu não poderia deixar de recomendar que assistam a “Mutum” e leiam “Campo Geral”.
Nessa semana, a Thaise, colega de trabalho da Scritta, encontrou um site que me deixou imensamente feliz! E eu não poderia guardar esse “achado” só para mim. Resolvi, então, compartilhar com vocês.
Imaginem um site em que tenha clássicos literários disponíveis para leitura gratuita. E, melhor, que você escolhe o quanto quer ler desse clássico por dia. E que os trechos equivalentes ao quanto quer ler sejam enviados para o seu e-mail diariamente. Parece um sonho, né? Mas não é!
O site http://www.leituradiaria.com/ faz isso para você! E sua funcionalidade já foi comprovada pela Marcela, também da Scritta. Ela está lendo “O diário de Anne Frank”, ou seja, o site está cheio de clássicos como esse.