As várias faces de uma mesma moeda
November 6, 2007 1:20 pm Língua PortuguesaAchei que o assunto já havia esfriado, no entanto, continuo recebendo e-mails sobre o manifesto do Luciano Huck após ter sido assaltado em São Paulo. O “Rolo do Rolex” (como diria Zeca Baleiro) continua na mídia e eu não poderia deixar de comentá-lo aqui no Blog.
Muitos devem estar se perguntando: “mas Laila, o que você tem a dizer sobre isso? Tem algo a ver com linguagem?”. Gostaria primeiro de dizer que o manifesto escrito pelo apresentador Luciano Huck diz respeito a todos nós, afinal, a violência é evidente, é um mal que aflige a sociedade brasileira como um todo.
Não vou aqui criticar ou defender o manifesto do apresentador, mas gostaria de dizer que tem muito sobre o que se falar do episódio quanto à linguagem. Para isso, vou convidá-los a uma reflexão sobre os desdobramentos do assunto.
Sempre falo nos meus cursos sobre o poder da retórica, a arma poderosa (não a “38” que apontaram na cabeça de Huck) que os argumentos podem se tornar no momento de convencer e/ou persuadir. No caso do manifesto “quase póstumo” (vale comentar que achei interessantíssimo o título) muitos dos argumentos utilizados são consistentes, tornando-o praticamente incontestável.
O “praticamente” para alguns pode se tornar “parcialmente” para outros, pois como mencionei anteriormente, houve desdobramentos. Boa parte dos leitores viu o manifesto de forma negativa.
Luciano tentou se comunicar com a sociedade como um todo, no entanto, foi bombardeado (não tanto como se estivesse em Bogotá) por alguns que não se julgaram interlocutores daquele manifesto. Não pela linguagem adotada em seu texto, que era clara e até simples, mas o conteúdo e os argumentos adotados fizeram com que muitos achassem que o texto tinha um discurso elitista e representava o desabafo de uma minoria.
A partir daí outras pessoas também se sentiram no direito de se manifestar, mostrando o outro lado, o lado dos desfavorecidos, como fez o escritor e rapper REGINALDO FERREIRA DA SILVA (Ferrez).
Seria o início de uma guerra? Acho que de guerra estamos fartos. Neste episódio não há ganhador ou perdedor, na verdade, todos ganhamos, pois quanto mais informações temos (por mais contrastantes que sejam), melhor será o nosso posicionamento sobre o assunto. Lembrando sempre que as informações devem ser lidas com profundidade, com um olhar criterioso.
O discurso que todos nós adotamos é o reflexo da bagagem de toda uma vida. No momento em que resolvemos expor nossas idéias, nossos pontos de vista, é sempre importante levarmos em conta COMO iremos nos expressar e para QUEM iremos falar, pois do outro lado haverá um interlocutor que poderá LER nossa mensagem de acordo com a bagagem de vida que ele carrega.
January 18th, 2008 at 6:34 pm
Ola professora, sou estudante de Letras nos EUA, e recentemente fui passar 40 dias no Brasil e acabei voltando com uma bagagem de: um assalto, um carro roubado e um amigo assassinado…Tenho um blog, e resolvi contar os fatos, e dar a minha opiniao sobre a violencia urbana. Percebi que o assunto: “violencia” esta quase virando um tabu, voce acaba tendo que “pisar em ovos” pra falar sobre ela…principalmente se voce eh brasileiro que mora fora, pior ainda se morar nos EUA…
Tava dando uma olhada no assunto, e acabei achando o seu blog, vou fucar mais um pouquinho, e ver se acho o Manifesto do Huck…E entao, depois, comento algo a respeito por aqui…Tudo de bom!