O “Bar do seu Biu” e o Fantasma da Crise
March 18, 2009 10:21 am UncategorizedDe uns dois meses para cá, um texto muito curioso se espalhou por toda a internet. Fez fama: foi reproduzido em colunas da Folha, nos muitos blogs de comentadores de economia e até mesmo em blogs de receitas. É a história do “Bar do seu Biu”, que explica de uma forma divertida e bem didática a crise das hipotecas de alto risco, também conhecidas como subprime – o que teria desencadeado a tal da “crise econômica mundial”.
É fácil entender por que um texto como o do “Bar do seu Biu” faz tanto sucesso, e tão rápido: ao mesmo tempo em que a crise afeta a vida de todo o mundo, é quase impossível para quem não estudou economia entender o “economês”, o jargão dos economistas. E a mídia também não ajuda: muito se fala sobre as demissões em massa, as falências, os esforços dos governos para aprovar pacotes de socorro rápido e tantas outras tragédias, mas nada disso nos ajuda a entender o que está de fato acontecendo.
Disso resulta que o período de crise, que já é em si um momento de incertezas, em que devemos avaliar bem o modo como utilizamos nosso dinheiro, passa a ser também um período de histeria coletiva. E no meio dessa paranoia financeira generalizada, todo o potencial de renovação que faz parte da crise tanto quanto a instabilidade se perde.
Tão famoso – e até mais – que a história do “Bar do seu Biu” é aquele bordão da TV: “com crise se cresce”. Quando passamos por momentos como o que está vivendo nossa economia, é preciso ter em mente que o desequilíbrio é parte do caminhar: só podemos dar o próximo passo se nosso corpo se desequilibra naquela direção. Por isso, não se deixe abalar pelo noticiário sensacionalista. Procure entender, por meio de bons exemplos como o desse texto, o que está se passando. Mantenha a calma e, principalmente, use as brechas deixadas pelo terremoto para plantar sua semente — para recriar-se.
PS: Apesar de ter procurado muito – muito mesmo –, não consegui encontrar o nome do autor do “Bar do seu Biu”. Parece mais um daqueles casos de “autor desconhecido”. Mesmo assim, gostaria de dar os parabéns para esse autor que, numa atitude bem simples, está ajudando muitas pessoas a lidarem melhor com a atual situação econômica.